Doces incertezas

Palavras de uma vida tão doce quanto incerta

Outubro 31, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Milena @ 9:38 am

Hoje, ela acordou com uma sensação estranha. Levantou da cama, lavou o rosto, escovou o cabelo, sem se olhar no espelho. Esqueceu de dizer bom dia a si mesma.

Saiu pela rua, e não tinha percebido o porquê tal sensação a dominava. Passou por um simpático senhor e sorriu, mas ele sequer a olhou. Mas a frente, se irritou com um rapaz que passou por ela como um furacão derrubando o que carregava na mão. Logo mais na esquina sorriu pra um bebê, e esse lhe retribuiu com um largo sorriso que iluminou até os lindos olhos azuis, mas ela ficou na dúvida se era mesmo pra ela.

Chegou ao seu emprego e as pessoas a ignoravam, nem responderam ao seu “Bom Dia!” Ficou chateada, mas foi logo fazendo as suas coisas. Parecia estar invisivel, coisa que havia se tornado seu mantra: “Que eu seja invisivel aos que não se importam comigo”.

Ela se apavorou em pensar o quanto sofreu querendo atenção alheia. E percebeu que a atenção que ela mais precisa é a dela mesma. Decidiu então se amar mais e foi isso que fez toda a diferença em sua vida.

 

Outubro 30, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Milena @ 9:20 am
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E com os dedos cruzados, desejava que tudo aquilo não passasse de uma alucinação. Fechou os olhos muitas vezes, torcendo pra que ao abri-los, toda aquela cena houvesse acabado. Mas não, por pior que tudo parecia ser, era realmente tudo real. Isso tornava a situação mais insuportável. Não era apenas um surto.

Ela, não sabia o que estava sentindo. A única certeza que tinha é que havia perdido o chão. Mesmo que o que ela sempre teve sob seus pés não fosse o mais seguro, ele fazia falta. E ficou parada, perplexa admirando a capacidade da vida surpreender. Observando a fragilidade das pessoas. Presenciando mil sentimentos se quebrarem como um cristal. O pior disso é que tinha certeza que nunca mais seriam como antes.

O mundo parecia não se importar com sua dor. Ele sequer parou pra ouvir os ruídos que saiam do seu peito, os barulhos do seu coração trincando. Não havia ninguém pra oferecer uma cola especial para os corações partidos. Sequer havia alguém para ela não se sentir ainda mais sozinha. O que era meio contraditório, porque apesar de ser apenas ela ali, sentia em seu peito que havia pessoas demais.

Mas com uma força invejável. Abriu os olhos e fitou o caminho que lhe esperava, juntou os cacos, guardou-os em uma bolsa de cetim, e seguiu seu caminho. Mesmo com toda a dor que sentia, ela decidiu seguir. Desistir não fazia parte da sua conduta. Eu e o mundo injusto, a via inábalavel como sempre ela parecia ser. Uma murulha forte, mas que apenas ela sabia que vivia prestes a desmoronar. Ela mantia o sorriso e o brilho nos olhos costumeiros. Mas desta vez o brilho em seus olhos eram das lágrimas.

 

abismos Outubro 20, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Milena @ 10:15 am
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e a vida foi banalizada. as histórias foram ignoradas. as palavras se perderam. as conversas já não são mais sadias. o coração se encheu de ódio e de rancor. os valores estão invertidos ou já não existem mais. o vazio só aumenta e um abismo é cultivado no peito.

viver já não é mais suficiente. é preciso rever o que significa viver. rever o motivo que estamos aqui nesse mundo. deveria ser para fazer a diferença. mas para que faze-la se ela só irá ferir e causar dor? deveriamos deixar nossa marca no mundo. mas para que serve uma marca de tristeza e tragédia?

é hora de revermos nossos pontos de vistas. hora de parar e analisar o que temos feito. será que não estamos indo contra o conceito da evolução. será que não estamos regredindo? esse é o momento de reorganizar nossos conceitos e escolher por qual estrada seguir.

 

Outubro 4, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Milena @ 8:04 pm
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senti saudades de coisas que não me pertencem. senti saudades de tempos que não voltam. senti saudades de palavras que não disse, de atitudes que não tomei. senti saudades de mim mesma. saudades de uma pessoa que poderia ter sido. saudades de uma uma série de oportunidades que não tenho.

saudades. falta. desespero. vontades. grito preso na garganta. nó no peito.

não consigo esquecer, não consigo apagar. não posso mudar. mas se pudesse eu mudaria?

 

“já estou cheio de me sentir vazio. meu corpo é quente e estou sentindo frio”