Doces incertezas

Palavras de uma vida tão doce quanto incerta

Outubro 30, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Milena @ 9:20 am
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E com os dedos cruzados, desejava que tudo aquilo não passasse de uma alucinação. Fechou os olhos muitas vezes, torcendo pra que ao abri-los, toda aquela cena houvesse acabado. Mas não, por pior que tudo parecia ser, era realmente tudo real. Isso tornava a situação mais insuportável. Não era apenas um surto.

Ela, não sabia o que estava sentindo. A única certeza que tinha é que havia perdido o chão. Mesmo que o que ela sempre teve sob seus pés não fosse o mais seguro, ele fazia falta. E ficou parada, perplexa admirando a capacidade da vida surpreender. Observando a fragilidade das pessoas. Presenciando mil sentimentos se quebrarem como um cristal. O pior disso é que tinha certeza que nunca mais seriam como antes.

O mundo parecia não se importar com sua dor. Ele sequer parou pra ouvir os ruídos que saiam do seu peito, os barulhos do seu coração trincando. Não havia ninguém pra oferecer uma cola especial para os corações partidos. Sequer havia alguém para ela não se sentir ainda mais sozinha. O que era meio contraditório, porque apesar de ser apenas ela ali, sentia em seu peito que havia pessoas demais.

Mas com uma força invejável. Abriu os olhos e fitou o caminho que lhe esperava, juntou os cacos, guardou-os em uma bolsa de cetim, e seguiu seu caminho. Mesmo com toda a dor que sentia, ela decidiu seguir. Desistir não fazia parte da sua conduta. Eu e o mundo injusto, a via inábalavel como sempre ela parecia ser. Uma murulha forte, mas que apenas ela sabia que vivia prestes a desmoronar. Ela mantia o sorriso e o brilho nos olhos costumeiros. Mas desta vez o brilho em seus olhos eram das lágrimas.